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24.09.10
Sexto sentido – Instituto Cão Guia Brasil proporciona oportunidades aos deficientes visuais

Cinquenta milhões. Esse é o número de deficientes visuais no mundo, segundo o relatório “As condições de saúde ocular no Brasil – 2009” divulgado pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).
Quando se fala de pessoas com baixa visão e risco de cegueira, as estatísticas são ainda mais espantadoras. De acordo com o documento, são 135 milhões de pessoas. O documento ainda revela que o Brasil representa 2,83% da estatística mundial, ou seja, são 1,4 milhões de brasileiros com 0% de visão, mas ao incluir os brasileiros com perda visual severa – cegueira ou visão subnormal – o número aumenta em quatro milhões.
Para esse contingente de deficientes visuais brasileiros, por incrível que possa parecer, há apenas 70 cães-guias, em operação, segundo Organizações Não Governamentais (ONGs) especializadas no assunto. E, enquanto isso, duas mil pessoas na fila de espera para obter o auxílio para tornar a vida um pouco mais produtiva e independente.
Que a inteligência dos cães já ultrapassa o entendimento de comandos dados por humanos já é fato mais que comprovado. O que muita gente ainda não percebeu é a importância de um cão-guia para o deficiente visual. Já dizia o cirurgião britânico do século XIX, William Wadd, que “quem dá a visão, dá a vida” e esses animais, fazem jus a essa frase. Eles proporcionam mais segurança, independência e liberdade, equilíbrio físico e emocional, garantindo maior velocidade e desenvoltura na locomoção e na socialização do deficiente visual.
O cão-guia auxilia o desvio de obstáculos aéreos, como galhos de árvores e telefones públicos, que ficam difíceis de ser detectados pela bengala. Mais que isso, eles são capazes de desobedecer qualquer comando que coloque o acompanhante em perigo. Esta habilidade chama-se desobediência seletiva, e talvez seja o aspecto mais interessante sobre os cães-guia, eu conseguem discernir a obediência ou não com sua própria avaliação da situação.
No país foi sancionada a Lei 11.126, de 27 de junho de 2005 que dispõe sobre o direito do portador de deficiência visual de ingressar e permanecer em ambientes de uso coletivo acompanhado de cão-guia.
A maioria dos cães-guia é das raças labrador e golden retriver por serem cães caracterizados pela inteligência, obediência, força e afabilidade. “A escolha do cão é feita aos seus três meses de idade, por meio de rigorosos testes de aptidão. Por um ano o cão inicia um processo de inserção na sociedade. Após a socialização o cão passa a treinar com o equipamento para guiar os deficientes visuais aprendendo todos os comandos necessários para realizar tal atividade”, explica Harrison.
Para receber um cão-guia, o candidato deve se inscrever no projeto e entrar numa fila de espera. Quando os cães estão finalizando o treinamento, são selecionados os candidatos que têm o perfil mais adequado para receber o cão.
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